skip to Main Content
Como Tudo Começou

Como tudo começou

Fiquei na dúvida de como dar sequência aos meus posts, pois são tantos os caminhos e tantas as coisas que quero contar, que às vezes congelo, mas decidi ir escrevendo como se estivéssemos batendo um papo, respondendo à algumas perguntas que poderiam estar vindo da sua boca, tais como: mas como que é esse negócio? A gente perde a consciência? Tem perigo de ir e nunca mais voltar? Dizem que passamos mal, etc e tal; Fala mais sobre isso.

Então, quando comecei lá em 2014 (no dia das bruxas mais precisamente), eu não tinha ideia do que era essa tal de Ayahuasca. Os outros psicodélicos eu só conhecia através do que a mídia falava, que durante o auge da Guerra às Drogas, eram só horrorosas mentiras. Mas como eu não relacionava Aya com psicodélicos e minha amiga me disse que tinha feito muito bem para ela, lá fui eu! Lembro de uma coisa que me marcou muito quando conversei com ela antes de eu experimentar: ela me disse que aquelas coisas que ela acreditava ela parou de acreditar e começou a SABER. Me lembrou o que Jung respondeu quando o perguntaram se ele acreditava em Deus e ele disse que não acreditava, que ele SABIA. Então, baseada nesse relato, lá fui eu, na cara e na coragem, para uma aventura ao desconhecido, na busca por algo que eu nem sabia o que era.

O ritual aconteceu em uma chácara maravilhosa! Chegamos, consagramos (tomamos a primeira dose da Aya), e fomos para nossos colchões nos acomodar. Eu fiquei numa poltrona olhando para o jardim e dormi, simples assim, dormi. Nisso me chamaram para a segunda dose e quando disse que não havia sentido nada, só dormido, me deram uma dose um pouco maior.

Aí a coisa “pegou”!

Me disseram que a medicina nos mostra nosso interior (na verdade tudo acontece com os olhos fechados, ao abrirmos pouca coisa altera). O visual era tão indescritivelmente lindo que eu pensava: se o que vemos de olhos fechados está dentro de nós, eu devo ser MUITO linda!!!

Para você entender de onde vem esse pensamento, deixa eu voltar um pouco no tempo….

Desde minha adolescência, minha autoestima, embora parecesse ser super alta para os outros, na verdade era péssima. Me sentia uma fraude que passava para o mundo a imagem de uma pessoa super bem resolvida e confiante, mas que no fundo se sentia a última das últimas. Por anos tive diversos episódios de depressão, uns mais leves, outros mais pesados. Em 2012 tive o mais avassalador da minha história. Nesta época, o médico tinha me dito que eu provavelmente precisaria tomar remédio para o resto da vida. Todas às vezes que entrei em depressão, eu achava que era porque eu não conseguia “me encontrar” profissionalmente, uma eterna perdida que não conseguia responder o que seria quando crescesse, e com isso sentia-se um NADA. Mas na verdade existiam outras causas, como uma sensibilidade inconsciente ao sofrimento alheio, assim como uma busca infindável por sentido de vida. No fundo eu não conseguia aceitar que a vida era só aquilo que me mostravam: casar, ter filhos, ter sucesso profissional, dinheiro, viagens, etc. Eu já tinha conquistado algumas dessas e estava a caminho das outras, era só uma questão de tempo, mas tudo aquilo não estava me completando, eu me sentia vazia, como se houvesse algo além disso, mas não sabia exatamente o que. Posso dizer que em 2012 foi a crise existencial mais severa da minha presente existência, a crise da meia idade como alguns chamam, mas que na verdade foi um presente do Universo, pois ela foi o trampolim para a minha cura, felicidade e paz de espírito. 

Quando percebi que sozinha eu não sairia do buraco, nem com remédio (que na época me ajudou muito), eu voltei para a terapia e graças à uma terapeuta maravilhosa, consegui sair do remédio, organizar a vida e a cabeça e me preparar para realmente abrir os olhos e encontrar sentido para a minha existência. 

Assim, voltando para o fatídico dia das bruxas, quando vi este mundo maravilhoso dentro de mim, uma semente foi plantada e entendi que dentro lá dentro deveria ter algo muito especial, talvez a fonte de tudo e que valia a pena eu persistir e descobrir. Foi então que no dia 31 de outubro de 2014 eu iniciei uma jornada em direção à cura do corpo, mente e alma, que me levou a ser quem sou hoje: feliz, livre de depressão ou remédio e livre para a vida, sentindo-me segura e confiante como nunca, e com um tremendo significado para a vida: VIVER!!!!

Talvez ter como propósito de vida simplesmente viver, não seja muito atraente ou complexo, mas dizem que a felicidade está justamente no SIMPLES. Afinal, “viver é simples, o difícil é ser simples”.

O que quero dizer com este propósito: é viver com uma “puta” vontade de aproveitar cada segundo da vida como se fosse o último. Dizem que as experiências psicodélicas ou místicas podem nos tirar o medo de morrer, mas nos dá mais vontade de viver. Que a morte seja uma aventura para daqui muitos e muitos anos!!!

Este caminho tem início mas não tem fim, pois a jornada é maravilhosa demais para querermos chegar em algum lugar e estacionar, se “estabilizar”. Quando o seu pior dia é SEMPRE melhor que o seu melhor dia já vivido, com certeza parar não faz sentido. E isto posso dizer de primeira mão!

Novamente: pode ser simples uma vez que estamos lá, mas até chegarmos neste ponto o caminho não é livre de pedras e obstáculos, mas isso vou deixar para contar em mais detalhes nos próximos posts :-)

Até lá!

Comentários

comentários