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Psiconauta, O Que é Isso?

Psiconauta, o que é isso?

Como alguns que me conhecem há algum tempo, ou me seguem nas redes sociais sabem, recentemente “saí do armário” com relação às minhas experiências com estados não ordinários de consciência através do uso de substâncias psicodélicas.

Minha busca pessoal por significado, entendimento do porque estou aqui e o que vim fazer neste mundo se iniciou na minha adolescência, quando fiz meu primeiro curso de Projeciologia (viagem astral) aos 15 anos de idade. Depois disso, busquei em diversas filosofias, religiões, livros, cursos e terapias, e embora posso dizer que aprendi muito sobre mim e o Universo, eu ainda sentia que havia algo maior que aquilo tudo. Não tinha ideia de que o caminho para mim seria através de substâncias psicodélicas, pois este assunto pouco se falava, ainda mais crescendo no auge da Guerra contra as Drogas, e nunca ousei experimentar nada além de um “baseadinho”, na época da faculdade e uma tentativa frustrante de cogumelos mágicos. Todo o resto eu morria de medo de “ir e não voltar”, como a propaganda dizia.

Foi só em 2014, aos 42 anos de idade, após uma dura e devastadora depressão, que conheci a Ayahuasca, mas que na época eu não considerava um psicodélico. Para mim, era uma medicina trazida pelos índios de cura física, emocional e espiritual. Uma forma de conexão com o Divino. O que continuo achando e respeitando imensamente até hoje. Mas eu desmerecia todas as outras substâncias, achando que eram drogas perigosas e que não tinham nada a ver com minha querida Mama Aya.

Graças ao seu poder e sabedoria, fui me curando de MUITAS mazelas em todos os meus corpos, mudando minha vida e de fato descobrindo quem eu era. A depressão, que me “perseguiu” a vida toda, nunca mais veio me visitar, pois eu entendi o que ela de fato estava tentando me mostrar: que a vida era muito mais do que o mundo queria que eu acreditasse que fosse. Fui descobrindo as razões e os porquês de tudo e com isso minha vida foi tomando um novo rumo, um novo significado. Posso dizer que fui abrindo minha cabeça e meus olhos.

Aí em janeiro de 2020, um pouco antes da pandemia chegar ao Brasil, eu conheci outra medicina super poderosa, chamada Bufo Alvarius, cujo princípio ativo é o 5-Meo-DMT. Alguns dizem ser um dos mais poderosos psicodélicos. E acredito que sim, embora eu não tenha experimentado todos ainda….
Com ele minha cabeça explodiu. O pajé mexicano que nos serviu disse que somos seres perfeitos e que o “sapito”, como é chamado carinhosamente, elimina este ser perfeito e te trás uma versão ainda mais perfeita. E de fato foi o que aconteceu. Minhas experiências com a Ayahuasca tomaram uma outra proporção e entendi que embora eu a viesse consagrando há mais de 6 anos, eu ainda não tinha noção do seu potencial.

Nisso chegou a pandemia e uma amiga me falou dos cogumelos mágicos, que eu tinha experimentado na juventude, mas sem efeito algum. Porém curiosa como sou, fui ler e pesquisar, e foi aí que houve a verdadeira explosão interna. Comecei a entender o que de fato são psicodélicos, e que sim, a minha querida Ayahuasca é um psicodélico! Esta palavra, cunhada numa conversa entre Aldous Huxley e Humphry Osmond, significa Manifestar a Mente (Psyche – Mente/Alma; Delic – Manifestar/Mostrar). E a Aya faz exatamente isso: te mostra o que está dentro de você e que a olhos nus não conseguimos ver.

E foi aí que descobri os milhares de estudos sobre o uso das mais diversas substâncias, não só para a exploração da consciência, mas mais que tudo, para cura do ser humano. Quando o LSD foi sintetizado pela primeira vez na Suiça, em 1943, ele era distribuído gratuitamente para médicos, psiquiatras e psicólogos no mundo todo para serem exploradas terapeuticamente. Segundo Stanislav Grof, um dos maiores psicólogos da nossa época, os Psicodélicos são para a Psicologia o que o Telescópio é para a Astronomia e Microscópio para a Biologia. Pois de fato elas podem ser usadas no tratamento de diversos transtornos psiquiátricos como depressão, síndrome pós traumática entre outros, de forma muito mais eficaz com o auxílio de tais substâncias, como está se vendo novamente no mundo todo. Porém devido a contra cultura e a necessidade de maior controle dos governos sobre suas populações, principalmente jovens nos anos 60, essas substâncias foram de uma hora para outra demonizadas e colocadas juntamente com substâncias altamente viciantes e sem benefício terapêutico algum na lei norte americana e posteriormente em muitos países do mundo, incluindo o Brasil.

Mas desde o final dos anos 90, uma nova leva de cientistas está revendo seus benefícios e hoje estamos vivendo o renascimento dos psicodélicos.

Mas por que falei disso tudo antes de explicar o que é um Psiconauta?

Porque para mim, essa palavra era inexistente no meu vocabulário até 2020. Eu já a conhecia, mas não me considerava uma. Só então depois de explorar minha mente com outras substâncias, além da Aya e do Bufo, que percebi que sou de fato uma Psiconauta, ou seja uma Nauta – Marinheira/Navegadora da Psique – Mente/Alma, assim como um Astronauta é um navegador dos Astros.
Neste último ano, além de explorar continuamente minha mente, me inscrevi em diversos cursos, fóruns, conferências e grupos de pessoas sérias que vem estudando e explorando este assunto há anos, e venho aprendendo MUITO! Não só os possíveis benefícios que essas substâncias têm para transtornos mentais, mas como para o melhoramento do ser humano. Ela nos ensina a entendermos melhor, e consequentemente entender o outro melhor. O mais interessante é que o aprendizado externo é integrado e verdadeiramente assimilado através do uso das próprias substâncias.

Hoje posso dizer que sou uma pessoa completamente diferente do que eu era há 6 anos. Confio na vida e no Universo 100% e posso dizer que nunca me senti tão feliz em toda minha vida. Mas esses detalhes vou deixar para você ler nos meus próximos posts.

Adendo: existem várias outras maneiras de se obter tais resultados, como Respiração Holotrópica, Meditação, Jejum, entre outras. Porém, venho falar das minhas experiências pessoais, sem querer incentivar ou fazer propaganda do uso de qualquer substância. 

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