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Ser Sensível Não é Ser Fraco – Texto De Renata Malheiros

Ser sensível não é ser fraco – Texto de Renata Malheiros

Texto profundo e maravilhoso por Renata Malheiros

Ser sensível não é ser fraco.

No fundo, todos nós somos sensíveis, mas alguns de nós se adaptam às armaduras disponíveis, outros não. Alguns se ajustam, no máximo, à finas malhas. Mas, uma coisa é fato: aqueles que estão sob as armaduras mais resistentes machucam – muitas vezes – seu irmão, até mesmo sem saber, sem sentir, sem perceber.

Já quem está livre da armadura não é capaz de machucar alguém sem se sair machucado também. E aí está a força do homem sensível: ele sabe a dor e a delícia de ser homem. Vive sendo machucado pelos outros, passa muito tempo cuidando de suas feridas, pede ajuda, reclama… mas nunca se esquece de como é seu próprio rosto, da importância do seu sorriso e de um abraço… nunca deixa de se lembrar, sequer um minuto, do que é ser um ser humano, de carne, osso e coração. Sabe o que é estar vivo e da fragilidade da vida. Isso é coragem. Isso é força. Brilho nos olhos, verdade e força.


É difícil para o sensível aceitar a sua tão natural condição, pois sua nudez, para os blindados, parece falta de propósito, de praticidade, de força. Parece a falta de um traje adequado, de um objetivo nobre, de coragem, bravura ou sensatez. Parece até mesmo falta de lucidez, inteligência e brilhantismo… Parece fragilidade…E não é nada disso. Ao contrário. Essa é justamente a pessoa em quem você mais deveria confiar. A ela você poderia confiar a sua vida. Mas isso, antes de tentar faze-la experimentar o tormento de suas pesadas opiniões.


Quando alguém sensível se depara com a frieza de uma armadura inerte, sempre se machuca. As tentativas de se ajustar acabam por machuca-lo ainda mais. Ele então se isola. A solidão cresce e nada mais parece fazer sentido.

Porque não faz. Afinal, somos humanos, somos seres da sensibilidade, da troca, das relações. Somos influência e influenciados, somos criaturas e criadores, somos sentir, somos contato, somos voláteis, maleáveis, dançantes. Esvoaçantes, líquidos por natureza… Sensíveis! Nada temos em comum com uma armadura fria, dura, rígida, racional, calculista e por fim, enferrujada.

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